A época de férias para crianças pertencentes a famílias que conseguem fornecer todas as necessidades básicas dos filhos é sempre de alegria, de poder brincar o dia todo, de visitar parentes e até viajar. No entanto, para um número muito expressivo de crianças brasileiras, as férias têm outro significado tanto para elas quanto para seus pais – de mais sofrimento e de passar fome. Isso se dá porque durante o ano escolar, todas as crianças em idade escolar que cursam o ensino fundamental têm o direito de receber uma refeição completa na escola – algo que para algumas crianças acaba sendo a única refeição diária e assim, quando entram em férias não têm mais acesso a este fonte de alimentação. Além disso, quando os pais trabalham para sustentar a família, e não tenham dinheiro para mandar seus filhos de férias com parentes ou fazer outras atividades, as crianças passam as férias com pouquíssima estrutura efetivamente “se criando” fato que é exacerbado quando muitos programas governamentais e não governamentais também entram em recesso durantes as férias escolares.
E como é que se muda este cenário? Em primeiro lugar os diferentes níveis de governo precisam reconhecer esta realidade – que com a quase universalização de educação fundamental com o direito a alimentação na escola, grande número de famílias mais pobres passaram a depender da escola para suprir necessidades nutricionais dos filhos - e compreender que tenham que tomar medidas específicas durante as férias escolares para garantir os direitos constitucionais à saúde e alimentação de toda criança brasileira. Uma vez reconhecida, cada governo local, conhecendo a realidade e necessidade local poderia criar programas permanentes para as férias escolares para oferecer uma alimentação balanceada para aquelas que precisam; o financiamento para tais programas devem ser de fontes mistas – dos Governos Federais, Estaduais e Municipais sendo que se trata de necessidades básicas da população.
Nenhum comentário:
Postar um comentário