Hoje em dia acredito que haja consenso no Brasil que para garantir um crescimento econômico sustentável no país há duas áreas que precisam passar por transformações contundentes – na de infra-estrutura, principalmente logística (portos, aeroportos e estradas, incluindo férreas) e na educação. Como meu conhecimento da área de infra-estrutura se limita à condição de usuário sofredor de aeroportos e estradas, pretendo continuar este postagem falando da educação.
Pelo que tenho acompanhado de diálogos sobre como melhorar a qualidade do resultado educacional brasileiro (sim, devemos focar nossas metas e pensamentos no resultado e não tanto nos processos que, de fato, sirvam para chegar a um resultado e não devem ser considerados como fins em si), percebo que o debate gira em torno de investir nos professores (com melhores salários e com treinamento para poder ensinar com mais qualidade) e pouco mais do que isso. Concordo que ambos são imprescindíveis para promover mudança positivo, desde que entendemos que o significado do aumento salarial traga consigo um aumento correspondente no status do professor assim sinalizando que a sociedade como um todo vê a educação dos seus filhos como prioridade e também de ser o caminho para ascensão social e econômico.
No entanto creio que haja questões muito mais profundas a serem enxergadas e resolvidas e que vão requerer investimentos muito significantes, mas nada além de que outros países em desenvolvimento (e alguns deles mais pobres que o Brasil) já tenham feitos. Estou falando para enxergamos as estruturas físicas da educação: as escolas, e de compreender o seu papel global nas comunidades onde são erguidas. Em muitas localidades a escola pública é o principal prédio público quando não o único e assim sendo quando se projeta cada escola, o ideal seria de projetá-la não só olhando a topografia e a projeção de número de estudantes que vai precisar servir, mas de estudar a comunidade local e as suas necessidades para que um prédio (ou complexo) público possa ser erguido para servir a muitas necessidades da comunidade com um investimento muito mais baixo de que se a gente olha serviço por serviço e ergue estruturas especificas para cada um. Hoje, na minha experiência de ver escolas públicas da região do Grande São Paulo, parece que a única exigência feita dos arquitetos é de criar escolas que têm um número “x” de salas para receber três turnos de alunos, um pátio, uma quadra, uma secretária, uma diretoria e uma sala de professores que talvez comporte um quarto dos professores que de fato lecionam nas escolas. Quando se projeta fábricas, se faz considerando o tipo de produção fará e para maximizar a produção considerando também os cuidados com os funcionários para que possam produzir melhor – se o produto da escola seja o nível de resultado educacional, faria sentido que como em fábricas e hospitais precisa ter uma arquitetura que vai promover tal resultado. Isso significa também que se constrói escolas de acordo com idade dos alunos e tipo de educação proposta - enxergo que temos que ter escolas projetadas para: os primeiros ciclos do ensino fundamental com crianças de seis a dez anos onde temos um professor(a) por classe com especialistas de educação física e artes/música (que também precisam de salas adequadas para o ensino proposto); para o segundo ciclo de ensino fundamental com alunos de onze a quatorze anos onde os professores de matérias deveriam ter as suas salas ambiente para história, geografia, matemática etc. e, finalmente para os alunos de ensino médio entre seus quinze e dezoito anos uma escola com laboratórios de ciências, de línguas e de informática. Em localidades menores, não vejo problema em ter uma estrutura para os alunos desde o segundo ciclo do ensino fundamental ao final do ensino médio.
Não esgotei meus pensamentos sobre este assunto, mas para hoje só.......
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